As
distribuidoras de energia do grupo Eletrobras estão recebendo um choque de
gestão com objetivo de atingir a lucratividade em 2014. Para isso, os
indicadores de qualidade do fornecimento, perdas técnicas e comerciais, e
inadimplência terão que melhorar substancialmente, paralelamente, a uma forte
redução de custos. Para isso, a Eletrobras já fechou um plano de investimentos
de R$ 2 bilhões anuais até 2015, totalizando R$ 8 bilhões, que serão injetados
nos estados do Acre, Alagoas, Amazonas, Piauí e Rondônia, além de Boa Vista
(RR).
Segundo
Marco Aurélio Madureira da Silva, diretor de Distribuição da Eletrobras, o
grupo está trabalhando em quatro aspectos principais: aumento da receita,
redução das perdas, melhora da qualidade do fornecimento e redução de custos.
Os resultados das ações começam a aparecer de forma tímida nos números da
empresa, como na redução do prejuízo consolidado das empresas de R$ 1,5 bilhão
para cerca de R$ 900 milhões entre 2010 e 2011. "Esse ano teve alguma
coisa na ordem de R$ 900 milhões, que é um resultado ruim, mas mostra uma
melhoria. Nem todo esse resultado eu posso ainda dizer que é função de melhoria
de resultados operacionais", observou o executivo em entrevista à Agência
CanalEnergia, por telefone, do Acre, no ínicio do mês.
Madureira
reconhece que as empresas tem, pelas características das áreas de concessão, um
custo de operação mais alto do que a média das empresas do setor. A maioria das
empresas está localizada na Amazônia atendendo a muitas comunidades isoladas.
"Começamos um processo de replanejamento das empresas, olhando quanto elas
podem gastar e o que elas precisam fazer dentro das características especificas
para poder se adequar a esses custos", frisou o executivo, que foi a cada
uma das empresas para discutir o orçamento de 2013.
Por
serem estatais, as empresas têm enfrentado dificuldades para fazer contratações
de pessoal e serviços. Madureira lembrou que o processo para contratar o call
center unificado já leva dois anos. A central de atendimento faz parte da
adaptação da empresa as exigências da resolução 414/2010, que regulação a
relação de consumidores e distribuidoras. Uma das exigências é ter atendimento
pessoal em todas as sedes de município do país. "A 414 nos trouxe esses
desafios dessa adequação. Estamos atendendo, buscando otimizar a forma de
efetuar esse atendimento", disse o executivo.
A
Eletrobras atende 3,5 milhões de unidades consumidoras nos seis estados com uma
receita de R$ 5,4 bilhões em 2011. Mas, esse faturamento poderia ter sido maior
se não fossem as perdas e a inadimplência. O débito de consumidores com as
subsidiárias da Eletrobras chega a R$ 1 bilhão. A área de distribuição está
mobilizada para reduzir esse prejuízo renegociando dívidas, ampliando ações de
corte e inscrevendo consumidores em empresas de avaliação de crédito.
"Cada estado tem característica em relação a inadimplência, mas um dos
setores com problemas é o setor público", afirmou Madureira.
A
empresa desenvolveu uma ação, no Piauí, junto com o Tribunal de Justiça e o
Tribunal de Contas do Estado, que resultou em uma grande renegociação das
dívidas das prefeituras do estado, com apoio da associação de munícipios. A
experiência já foi levada à Alagoas. Em Rondônia, a empresa conseguiu que o
estado colocasse em débito automático todas as contas de energia. Mas, a
Eletrobras não desistiu dos cortes, considerados a última instância. Madureira
lembra que um dos esforços da empresa é contratar pessoal para as ações de fiscalização.
"Temos que ter serviço com equipes grandes, já que temos indicadores altos
de inadimplência e perdas", ressaltou.
Em
perdas, Madureira adiantou que nesse início de ano as distribuidoras
conseguiram reduzir os indicadores em 1,5 ponto percentual no acumulado de 12
meses. Os indicadores de perdas totais consolidados, em 2011, fecharam 34,28%,
com a Eletrobras Amazonas Energia com o maior índice de 41,84%. As empresas
estão investindo em blindagem de redes, instalação de medição e de um centro de
medição para grandes consumidores, que já existe em Manaus, além da
intensificação das inspeções. Somente em Manaus, a empresa contratou 100
equipes e o reforço já se estende a Piauí e Alagoas, onde as ações têm apoio do
Minstério Público Estadual.
A
reestruturação das empresas que têm uma diretoria única centralizada no Rio de
Janeiro também já visa os efeitos da revisão tarifária, que virá no ano que
vem. Madureira encara o terceiro ciclo, como uma realidade posta, que traz o
desafio de buscar a qualidade do serviço com menor custo. "Temos que nos
ajustar a essas realidades. Estamos fazendo um processo de análise do impacto
nas empresas. Vamos saber que receita vamos ter e o que temos que fazer para
nos adequar", afirmou.
Além
de enfrentar o desafio de trazer as empresas para os padrões atuais do setor
elétrico, a Eletrobras também já tem que planejar o futuro do serviço, tendo em
vista a chegada das redes inteligentes. Madureira disse que o grupo está
avançado em alguns pontos. A Eletrobras Amazonas Energia está implantando um
projeto de smart grid em Parintins, que vai envolver todos os consumidores do
munícipio, que é uma ilha fluvial. A empresa está instalando os equipamentos de
automatização da rede e comprando os medidores eletrônicos.
Além
disso, a empresa também está testando a geração distribuída, com energia solar,
para atendimento das chamadas unidades remotas, aglomerados de poucas unidades
consumidoras, inviáveis de serem atendidos pela rede tradicional. Está sendo
feita a associação de uma pequena central solar com paineis fotovoltaicos com
pré-pagamento, com gerenciamento via satélite da geração centralizado em
Manaus.
Celg
- Mas, a área de distribuição está crescendo de tamanho. A Eletrobras assumiu o
controle, recentemente, da Celg-D, tendo agora 51% da distribuidora de Goiás.
Madureira explica que empresa não ficará dentro da diretoria de distribuição,
tendo, assim, uma administração independente. Porém, o controle será exercido
pelo conselho de administração, presidido por Madureira. A diretoria atual da
Celg-D será mudada após um processo de seleção feita por uma empresa de headhunter.
"Vamos
efetuar essa gestão através de orientações e acompanhamento do conselho de
administração", reforçou o executivo. O principal objetivo é retomar os investimentos,
que devem ficar em torno de R$ 1 bilhão nos próximos cinco anos. A empresa
também precisa ficar adimplente com os fundos setoriais para aplicar o reajuste
tarifário represado nos últimos anos. A Celg aguarda receber a segunda
tranche de um empréstimo de R$ 3,5 bilhões com a Caixa Econômica Federal para
regularizar a situação. "A questão é de ajuste entre [Ministério da] Fazenda,
[Ministério do] Planejamento e governo do estado", afirmou ele sobre a
liberação do financiamento.
CEA
- Outra empresa que deve vir a fazer parte da área de distribuição é a CEA
(AP). Sobre a distribuidora do Amapá, Madureira afirma que ainda não recebeu
nenhuma orientação sobre o processo de integração, mas confirmou que os
técnicos da Eletrobras está realizando um processo de due diliegence para
conhecer a empresa. "Sem dúvida esse tipo de empresa traz algum tipo de
problema. A receita é a mesma trabalhar para melhorar a qualidade do serviço,
controlar perdas e inadimplência, e reduzir os custos", sublinhou.
Apesar
dos desafios nas seis empresas atuais e nas que estão vindo, Madureira mostra
otimismo com o resultado final: "A equipe toda está confiante que atingirá
os objetivos traçados".
Fonte:entrevista concedia ao jornalista Alexandre Canazio do Canal Energia.